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Exposição "Recriar, Reler, (Re)sentir - Cesário Verde renasce nas palavras dos alunos do 12º G e do 12º I"

     Está patente na biblioteca escolar uma mostra de poemas "à maneira" de Cesário, em "Sentimento dum Ocidental" criados pelos alunos ou gerados pela Inteligência Artificial (IA) a partir dos  prompts que os alunos indicaram.      O trabalho foi orientado pela docente Isabel Carvalho e o resultado final mostra também as escolhas estéticas e gráficas dos alunos.     Ter a possibilidade de usar a IA em contexto pedagógico permite não só experimentar, mas também avaliar o retorno e refletir sobre as vantagens e desvantagens da sua utilização.      Aqui fica uma pequena ideia mas melhor é ver e ler no espaço da biblioteca.

Poema "Rosas Secas

 Rosas secas Rosas secas numa jarra, atravessadas Pelo feixe de luz amarelo do candeeiro de rua. Mas a rua será modernizada. Iluminada por uma lâmpada branca e estridente. Tal como tudo no mundo, que se torna incolor e sem graça. Tal como todos no mundo, que se tornam pálidos e secos. Tal como o corpo nu e frio que se estende na cama E que terá roubado umas rosas, em tempos, Deixando-as pousar eternamente. Porque as flores são mais bonitas quando estão mortas E as raparigas são mais bonitas quando desejam ser flores numa jarra, Arranjadas, ornamentadas. Elogiadas e ignoradas. Direitas, imóveis... À espera de serem trocadas por umas mais frescas, em breve. Quando a realidade bate à porta E decidem levantar-se da cama, As raparigas olham para o espelho, Intrigadas com a forma que o seu cabelo tomou E com o brilho com que os seus olhos se distinguem do mar de petróleo, E desiludem-se Porque não são como as rosas, Que ficam mais bonitas quando estão murchas. Mas o espelho não se import...

Concurso de Poesia

Já entregaste o teu poema?  

Uma sombra de mim - 2º prémio ex-aequo do Concurso de Poesia

  Autoria: Blake W. Quero que alguém me veja Que alguém saiba que existo Mas e eu? Será que me vejo a mim mesmo? Vejo-me Vejo-me no espelho todos os dias Vejo as minhas lágrimas Vejo-me de coração partido Porque não há ninguém mais que eu Vejo-me Mas mal me vejo Estou reduzido a uma sombra Do que uma vez fui Do que nunca voltarei a ser Ainda espero que venha alguém Alguém que me veja Mas e eu? Será que me verei a mim mesmo?

Medo da Liberdade - 2º prémio ex-aequo do Concurso de Poesia

Autoria: Lara Casal  As aves sempre foram uma espécie que admirava A liberdade que elas possuem Poder voar livremente nos céus A capacidade de viajar sem um destino Quando era uma criança queria ser como tal Livre de responsabilidades Fazer as minhas escolhas sem influência de outros Ser só eu com o mundo Agora já sou mais velha E quanto mais tempo passa Mais rápido esse momento que tanto quis se aproxima No entanto já não é um sonho meu Sinto ânsia de ficar sozinha Tenho medo de não ter rumo Preocupa-me não saber voar Tenho medo de ser livre

Se gostas de poesia, esta proposta é para ti

 A Acanto é uma revista de poesia em papel e online  onde podes ler e saborear poesia local, nacional e internacional.

Fotografia - 3º prémio - Concurso de Poesia

 Autoria: Silvandra dos Santos Criou-se um padrão, uma ditadura do que se é belo e do que não é,   o normal passou a ser escândalo estrias nas coxas, espinhos no rosto,   uma barriga que sobressai,   um corpo que não cumpre o padrão, é considerado feio que sociedade, vazia me encontro...   Apontas uma câmara pra mim, o que tencionas fotografar? quem eu sou,   ou quem pareço ser?   Tencionas fotografar o meu corpo, mas por que não fotógrafas o meu interior?   Por que só consegues observar o meu exterior? por que limitas-te se podes mergulhar fundo?   Olhas apenas para o meu corpo, julgas-me fazendo-me refém do teu juízo, se me rotularás como bela ou aberração.   Eu quero ver-te, fotografar o meu silêncio fotografar a minha dor   fotografar os meus medos fotografar às minhas inseguranças fotografar às minhas cicatrizes   fotografar o meu verda...

Resultados do Concurso de Poesia

 É com grande satisfação que revelamos que esta edição contou com o maior número de participações de sempre. Depois de análise atenta, são premiadas as seguintes participações: Parabéns e encontramo-nos na entrega de prémios dia 30 de março, às 11h20.

No centenário de Eugénio de Andrade

Os amantes sem dinheiro   Tinham o rosto aberto a quem passava. Tinham lendas e mitos e frio no coração. Tinham jardins onde a lua passeava de mãos dadas com   a água Monet e um anjo de pedra por irmão.   Tinham como toda a gente o milagre de cada dia escorrendo pelos telhados; e olhos de oiro onde ardiam os sonhos mais tresmalhados.   Tinham fome e sede como os bichos, e silêncio à roda dos seus passos. Mas a cada gesto que faziam um pássaro nascia dos seus dedos e deslumbrado penetrava nos espaços.

Poemas & Poetas, Soneto - Hélia Correia

  Soneto   Se alguém batesse à minha porta um dia E me chamasse à vida que há na rua, Eu — que não quero ouvir — nada ouviria Que apenas ouço aquela voz que é tua.   Se alguém de noite abrisse a gelosia Para que eu pudesse olhar a luz da lua, Eu — que não posso ver — nada veria Que a condição de cega continua.   Nem punhal feito em aço de Toledo Me atinge o coração porque ele somente No aço dos teus olhos se desfaz.   Pois contra mim lançou este bruxedo O Amor: de meus sentidos nenhum sente Senão o sentimento que lhes dás.   HÉLIA CORREIA   Hélia Correia é uma escritora e tradutora portuguesa, tendo sido laureada ao longo da sua carreira literária. Foi galardoada com o Prémio Camões 2015. Hélia Correia nasceu em Lisboa em fevereiro de 1949, e cresceu em Mafra, terra da família materna, na qual frequentou o ensino primário e liceal. Finalizou os estudos liceais em Lisboa, cidade onde também viria a frequenta...

Poemas & Poetas, O Sol Volta Sempre a Brilhar - Maria Antonieta Fevereiro

  O Sol Volta Sempre a Brilhar     Alguém um dia me disse: O Sol volta sempre a brilhar. E hoje o Sol brilhou na minha janela. Um Sol de Inverno, Com prenúncio de Primavera. E porque de felicidade Também se deve falar. Um mar de ondas revoltas, Também se pode acalmar. Do turbilhão dos desejos Do crepitar de emoções. Finalmente em paz me sinto. E quedo-me a sonhar.   Maria Antonieta Girão Fevereiro   Maria Antonieta Girão Fevereiro nasceu na Covilhã a 5/02/1950. Viveu durante três anos em África, na Guiné onde frequentou o liceu Honório Barreto. Mais tarde enveredou pela carreira do ensino, nomeadamente na área de formação profissional. Investigadora autónoma e está hoje ligada á Física Quântica e ao mundo holístico. Desde criança sentiu o gosto pela poesia estando agora a equacionar a publicação de um livro de poemas.

Poemas & Poetas, Onde deixaste o meu beijo-manhã? - António Pedro Vicente

  Onde deixaste o meu beijo-manhã?   Dentro da gaveta do quarto? entre os papéis versados e os anéis, e os ponteiros arrastados pelo tempo?   Por baixo do sofá? Para onde costuma escorrer o silêncio dos teus lábios?   Em cima da cama? Onde prometemos o amor, onde existimos eternos?   Onde deixaste o meu beijo-manhã? Estendido na varanda a pingar a cidade de amor?   Preciso do encontro dos teus lábios, para poder abafar o silêncio entre as pedras da rua, que se estende misturado nas paredes do mundo,   Onde deixaste o meu beijo-manhã?   Que hoje preciso de pintar um quadro sobre o amor guardado numa gaveta só para ti.   António Pedro Vicente   António Pedro Vicente, nasceu a 02 de fevereiro de 1988, em Caldas da Rainha, Portugal. Formou-se em Ciências da Educação pela Universidade de Lisboa. Mais tarde, integrou a especialização na gestão do ensino superior. Foi na cidade de Li...

Poemas & Poetas, Ode à Liberdade - Jaime Cortesão

  Ode à Liberdade   Quero-te, como quero ao ar e à luz Porque não sou a ovelha do rebanho, Nem vendi ao pastor a alma e a grei; E onde não haja mais do que o redil, És tua a minha pátria e a minha Lei.   Leva-me onde as estradas me pertençam. Porque as vozes viris que me conduzem Ninguém, melhor do que eu, sabe dizê-las; Porque eu não temo as livres solidões, Onde habitam os ventos e as estrelas.   Leva-me ao teu sopro, éter divino, Porque me queima a sede das alturas E o meu amor se oferece sem limite; E és tu que abres as asas aos condores, É tu que ergues os astros ao zénite. Toma-se nas tuas mãos de Sagitário, Faze de mim o arco retesado Pelo teu braço e a tua força inquieta, Pois, quando o meu desejo atinge o alvo, És tu o impulso que dispara a seta.   É lá, sempre mais longe, além do Outono, Nos limites do mundo conhecido, Em plena selva e onde há que abrir a senda, Que eu quero devorar os frutos novo...

Poemas & Poetas, Aninhas e suas pedras - Cora Coralina

  Aninha e suas pedras   Não te deixes destruir… Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas.   Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.   Faz de tua vida mesquinha um poema. E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir.   Esta fonte é para uso de todos os sedentos. Toma a tua parte. Vem a estas páginas e não entraves seu uso aos que têm sede.   Cora Coralina Cora Coralina (ou Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas) nasceu em 20 de agosto de 1889, na cidade de Goiás. Ali, frequentou a escola durante apenas três anos e tinha muita dificuldade em aprender. De acordo com a escritora, numa entrevista concedida a Miriam Botassi (1947-2000), quando chegou à idade de se casar, teve “muito medo de ficar moça velha sem casar”. Já que tinha ideias não aceites no tempo, a família considerava-a uma louca, por ser diferente. Era considerada feia e,...

Poemas & Poetas, As crianças são mais sábias do que os grandes sábios e intelectuais adultos. - Vanda Furtado Marques

  As crianças são mais sábias do que os grandes sábios e intelectuais adultos.   Quando fala… inunda-nos de bolhinhas em forma de coração. Quando sorri… amolece-nos o coração e derrete-o como se fosse manteiga. Quando chora… precisamos de um chapéu-de-chuva para a alma. Quando brinca… transforma uma simples pedra num gigante das histórias. Quando pensa… enche o mundo de balões coloridos. Quando dorme… os carneirinhos dos sonhos fazem-nos mé…mé … Quando está triste… até fazemos piruetas e saltamos montanhas. Quando nos abraça… as raízes do amor multiplicam-se criando flores vermelhas.   Vanda Furtado Marques   Nascida em Alcobaça em 1968. Teve o privilégio de ter crescido numa família onde a cultura e o mundo das Histórias eram constantes. Desde pequena, recorda a mãe contar as histórias das tias, dos avós, dos bisavôs. Eram histórias verdadeiramente fantásticas, onde tesouros antigos, amores incompreendidos e lutas pela liberdade eram desven...