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Poema "Rosas Secas

 Rosas secas Rosas secas numa jarra, atravessadas Pelo feixe de luz amarelo do candeeiro de rua. Mas a rua será modernizada. Iluminada por uma lâmpada branca e estridente. Tal como tudo no mundo, que se torna incolor e sem graça. Tal como todos no mundo, que se tornam pálidos e secos. Tal como o corpo nu e frio que se estende na cama E que terá roubado umas rosas, em tempos, Deixando-as pousar eternamente. Porque as flores são mais bonitas quando estão mortas E as raparigas são mais bonitas quando desejam ser flores numa jarra, Arranjadas, ornamentadas. Elogiadas e ignoradas. Direitas, imóveis... À espera de serem trocadas por umas mais frescas, em breve. Quando a realidade bate à porta E decidem levantar-se da cama, As raparigas olham para o espelho, Intrigadas com a forma que o seu cabelo tomou E com o brilho com que os seus olhos se distinguem do mar de petróleo, E desiludem-se Porque não são como as rosas, Que ficam mais bonitas quando estão murchas. Mas o espelho não se import...

Concurso "Uma aventura literária 2025"

 Já pensaste em concorrer? Encontras mais informação na biblioteca.

Concurso de Poesia

Já entregaste o teu poema?  

Uma sombra de mim - 2º prémio ex-aequo do Concurso de Poesia

  Autoria: Blake W. Quero que alguém me veja Que alguém saiba que existo Mas e eu? Será que me vejo a mim mesmo? Vejo-me Vejo-me no espelho todos os dias Vejo as minhas lágrimas Vejo-me de coração partido Porque não há ninguém mais que eu Vejo-me Mas mal me vejo Estou reduzido a uma sombra Do que uma vez fui Do que nunca voltarei a ser Ainda espero que venha alguém Alguém que me veja Mas e eu? Será que me verei a mim mesmo?

Medo da Liberdade - 2º prémio ex-aequo do Concurso de Poesia

Autoria: Lara Casal  As aves sempre foram uma espécie que admirava A liberdade que elas possuem Poder voar livremente nos céus A capacidade de viajar sem um destino Quando era uma criança queria ser como tal Livre de responsabilidades Fazer as minhas escolhas sem influência de outros Ser só eu com o mundo Agora já sou mais velha E quanto mais tempo passa Mais rápido esse momento que tanto quis se aproxima No entanto já não é um sonho meu Sinto ânsia de ficar sozinha Tenho medo de não ter rumo Preocupa-me não saber voar Tenho medo de ser livre

Fotografia - 3º prémio - Concurso de Poesia

 Autoria: Silvandra dos Santos Criou-se um padrão, uma ditadura do que se é belo e do que não é,   o normal passou a ser escândalo estrias nas coxas, espinhos no rosto,   uma barriga que sobressai,   um corpo que não cumpre o padrão, é considerado feio que sociedade, vazia me encontro...   Apontas uma câmara pra mim, o que tencionas fotografar? quem eu sou,   ou quem pareço ser?   Tencionas fotografar o meu corpo, mas por que não fotógrafas o meu interior?   Por que só consegues observar o meu exterior? por que limitas-te se podes mergulhar fundo?   Olhas apenas para o meu corpo, julgas-me fazendo-me refém do teu juízo, se me rotularás como bela ou aberração.   Eu quero ver-te, fotografar o meu silêncio fotografar a minha dor   fotografar os meus medos fotografar às minhas inseguranças fotografar às minhas cicatrizes   fotografar o meu verda...

1º prémio do Concurso de Poesia

 Lembras-te de mim? Quantas memórias carregas Foi um sonho talvez Um sonho carregado de amor e felicidade Como é triste ver agora Morrer tão belo... Ouves os acordes da guitarra? Segue-os antes que esqueças como eram. Sentes a melodia da flauta? São os seus últimos compassos... Um dueto em perfeita sintonia... Acabou. Ouço perfeitamente o silêncio da minha solidão, agora. Sorri para mim uma última vez. Porque não sorris? Que puro e singelo era... Voa! Para onde possas ouvir eternamente a melodia da felicidade. Lembras-te de mim, avó? Amor... Ana Oliveira

1º lugar - Concurso de Poesia

  A cidade onde apenas eu existo - Maria Sankova (para ler, escutando F. Chopin: Nocturne ) Na cidade onde apenas eu existo Na cidade onde a tua miséria não existe Na cidade onde podes ser feliz, sem mim apenas Na cidade onde eu não existo Te deixo mamã, sozinha Na cidade onde tu não me tens. Te retiro as memórias vivas de mim Te obrigo a largar-me. Te oprimo a retirar os teus dedos maltratados dos meus Os teus olhos soturnos dos meus Sepulto o amor que sentes por mim E parto para a cidade onde apenas eu existo A tua vida vai começar da zero, mamã. Vais originar as tuas ricas lembranças preciosas Viver a tua juventude rara e inestimável Vais desabafar com a tuas amigas sobre aquele de quem gostas. Vais apaixonar-te pelo teu primeiro amor. Vais beijar, vais rir, vais lacrimar, vais seduzir. Vais provar todos os sentimentos um por um outra vez. Vais vivenciar a primeira vez que te tiram a impureza Da mesma forma crias os laços intimidantes com apenas o toque Respiras o mesmo ar que a...

2º lugar - Concurso de Poesia

 Reflexo , Juliana Galício Depois de meses a viver dentro da mesma tempestade, levanto-me. Levanto-me mesmo estando ainda agarrada àquele tempo horrível. Comigo arrasto o tempo, que pesa mais que uma criança mimada Que implora pelo constante colo da mãe. Até chegar a um lago. Tento encarar a imagem de um corpo cinzento refletido, Mas os meus olhos recusam-se a olhar-lhe diretamente. Recusam-se olhar para toda aquela nudez, Como a nudez de uma língua sem pronuncia que o torna tão vulnerável. Acabo por deixar os meus olhos explorarem cada canto de sua pele, Cada pormenor que o difere do outro. Cada mancha suja que grita estranheza E cada lágrima que sussurra fraqueza. Ainda de pé, sem olhar nos olhos do desconhecido, respiro fundo E deixo os meus olhos se encontrarem pela primeira vez. Aquele par de olhos vislumbrava vazio e quietude de um dia nublado de outono, Onde nem as criancinhas se atreviam a sair de casa para brincar nas poças. Num corpo que agora me faz duvidar da existência...

3º Lugar ex-aequo no Concurso de Poesia

 Estou infetada - Mariana Vaz Nunes

3º Lugar ex-aequo - Concurso de Poesia 2021

  Eu queria poder voltar no tempo - Carolina Oliveira Eu queria poder voltar no tempo, Queria poder evitar amar você, Queria poder esquecer seu beijo, seu abraço. Mas o destino não perdoa. Às vezes precisamos perder para valorizar, Aceitar que acabou, por mais que doa, Seguir em frente, mesmo sendo difícil. Não posso deixar de viver minha vida só porque você não está mais nela. Nada dura para sempre, então mais vale apreciar os pequenos momentos enquanto eles ainda estão ao nosso alcance. Porque depois, quando esses momentos não passam de memórias, a saudade se faz presente e eu só quero voltar atrás para conseguir reviver os pequenos minutos a seu lado e lhes dar mais valor. Este peso no meu peito está ficando cada vez mais familiar, já quase não machuca. Lembranças vão e voltam, levando com elas meu sorriso e trazendo de volta minhas lágrimas. Porém eu não choro, porque haveria? Chorar não vai me fazer esquecer de como me sentia segura em seu abraço nem vai trazer você de volta ...

Resultados do Concurso de Poesia 2020/21

 No mês em que celebramos a poesia de Francisco Rodrigues Lobo, decorreu o Concurso de Poesia.  Participaram, sobretudo, estudantes do 10º ano, revelando uma maturidade e um saber usar a palavra para produzir imagens e emoções dignas de nota. O júri, constituído por uma antiga aluna, Sara Margarida, e duas professoras, Mercília Francisco e Helena Espírito Santo, debateu-se com escolhas nem sempre fáceis. Parabéns pelas participações! Eis o resultado:

1º lugar no Concurso de Poesia

Abafado Conheces-me como te conheces? Serás aquilo que não sei se sou? Anseios, lágrimas, sorrisos bipolares. A fuga do Minotauro, por onde vou... Procuram exaltadas as mãos o portal oculto do saber. Arriscado futuro dominado pelo passado, e eu numa sala húmida, sem ar. Grito no silêncio a prece pois vácuo é este ar. Vestem-me a camisa de forças. Apertam, apertam, deixo de respirar. E agora (choro)...  Miguel Santos

2º Lugar no Concurso de Poesia

Noturnos como somos Escrito numa noite de verão que me lembra que não tenho razão de estar miserável Contemplar o modo em que ele leva o cigarro aos lábios O modo que dois dedos o seguram tremulamente E as bochechas esvaziam quando ele enche a boca de fumo venenoso e quente Abre os olhos manso como um cordeiro, olhos sábios. Há uma ruga entre as sobrancelhas d’Ele Chama-se a Linguagem do Caos À combinação dos olhos intensos e da ruga franzida na sua pele Mas é a Linguagem do Caos que na sua direção me impele. Caos manifesta-se nos olhos Olhos esses que estão agora fechados, Mas mesmo sem ele ver Os dados estão lançados. Quando cerrados, parecem de um predador Ou os de uma fera concentrada. Mas quando abertos, já parecem De uma presa domesticada. São de tons pretos e manchados Como que enegrecidos pelo fumo Que age como uma névoa, Escondendo olhos tristes e cansados Do Caos são vassalos, e estão saturados. Mas mesmo na imensidade da sua escuridão melancólica e m...