quarta-feira, 5 de junho de 2019

1º lugar no Concurso de Poesia

Abafado



Conheces-me como te conheces?
Serás aquilo que não sei se sou?
Anseios, lágrimas, sorrisos bipolares.
A fuga do Minotauro, por onde vou...

Procuram exaltadas as mãos
o portal oculto do saber.
Arriscado futuro dominado pelo passado,
e eu numa sala húmida, sem ar.

Grito no silêncio a prece
pois vácuo é este ar.
Vestem-me a camisa de forças.
Apertam, apertam, deixo de respirar.

E agora (choro)... 
Miguel Santos

sexta-feira, 24 de maio de 2019

2º Lugar no Concurso de Poesia

Noturnos como somos

Escrito numa noite de verão que me lembra que não tenho razão de estar miserável
Contemplar o modo em que ele leva o cigarro aos lábios
O modo que dois dedos o seguram tremulamente
E as bochechas esvaziam quando ele enche a boca de fumo venenoso e quente
Abre os olhos manso como um cordeiro, olhos sábios.
Há uma ruga entre as sobrancelhas d’Ele
Chama-se a Linguagem do Caos
À combinação dos olhos intensos e da ruga franzida na sua pele
Mas é a Linguagem do Caos que na sua direção me impele.
Caos manifesta-se nos olhos
Olhos esses que estão agora fechados,
Mas mesmo sem ele ver
Os dados estão lançados.

Quando cerrados, parecem de um predador
Ou os de uma fera concentrada.
Mas quando abertos, já parecem
De uma presa domesticada.
São de tons pretos e manchados
Como que enegrecidos pelo fumo
Que age como uma névoa,
Escondendo olhos tristes e cansados
Do Caos são vassalos, e estão saturados.
Mas mesmo na imensidade da sua escuridão melancólica e melodiosa
Estão meio vivos, se bem que, talvez “meio” seja muito
Têm uma fração de vida
Pois naqueles olhos, jaz a morte e o tumulto.
A foto não é velha,
Tem apenas um ano.
Era de quando ele ainda tinha o vício da nicotina
E todas as virtudes de alguém insano.
Dispensara o tabaco quando algo em si irrompera
A voz de mel substituída por uma mais rouca e gutural
E a pele de algodão por uma mais áspera
Soubera aí que não podia sucumbir a um desejo tão primitivo,
Como aquele de procurar a satisfação instantânea
Afinal, não era nenhum animal
Nem uma fera.

Sempre me surpreendeu a velocidade com que ele largava os vícios
Como se nada o afetasse
Nem os deleites, nem os perigos.
Dos dois últimos, não sei onde me identifico
Devia ter sabido que não era exceção
Pois foi tão fácil descartar-me,
Como atirar uma beata para o chão.
Joana Ferreira

terça-feira, 2 de abril de 2019

Cem Anos de Solidão

     Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo” – é com estas palavras tão célebres e marcantes que Gabriel García Marquez introduz Cem Anos de Solidão.
    Esta obra-prima de literatura contemporânea traduzida em mais de 35 idiomas diferentes tem um título que, por si só, resume o seu conteúdo, pois a história passa-se em Macondo, aldeia fictícia criada por José Arcadio e Úrsula, situada no meio de uma floresta algures na América Latina onde reina a solidão e a forma estranha das personagens se amarem.
     Ao longo de 392 páginas, o autor colombiano não só nos presenteia com a aventura da família Buendía-Iguarán ao longo das 6 gerações, desde que começou até à sua extinção; como também nos obriga a uma reflexão sobre um vasto número de temas, por exemplo, revoluções, fantasmas, incesto, corrupção e loucura, demonstrando, assim, a imaginação fértil tão peculiar ao Nobel colombiano. 
   O romance tem um elevado número de personagens e algumas destas ainda têm nomes repetidos de gerações anteriores, fazendo com que eu me fosse perdendo pelas diversas famílias e contribuindo para a dificuldade de criar uma ligação emocional com qualquer uma das personagens, uma prática que tenho sempre que leio. Para além disso,excede-se em descrições e informação que não permitem a pormenorização de situações narradas. Estes motivos conduziram à minha desilusão, contrariando a leitura recomendada por muitas pessoas, de tal forma que me vi a pousar o livro na estante e a refletir sobre as causas de uma narrativa como esta, que ganhou o Nobel da Literatura em 1982, me parecer tão confusa e aborrecida.
    Passado aproximadamente um mês, tentei continuar a minha leitura até que me apercebi de que não estava a interpretar o conteúdo de forma correta. De facto, as personagens presenteadas com o mesmo nome ao longo das diversas gerações têm o mesmo comportamento e cometem os mesmos erros, fazendo com que esta família seja cíclica. Ora, foi exatamente isso quefez com que toda a minha opinião sobre o livro mudasse radicalmente. Obriguei-me a recomeçar a sua leitura e em boa-hora o fiz, conseguindo, desta forma, captar toda a mensagem que García Marquez quis transmitir e toda a magia por detrás da sua escrita. O movimento literário chamado Realismo Mágico está bastante evidenciado na obra, isto é, os eventos sobrenaturais são descritos num tom objetivo e pragmático, enquanto eventos normais da vida humana e factos históricos são contados como se fossem parte de uma grande fantasia. A presença deste movimento literário torna a leitura pouco monótona e bastante interessante, levando-nos até a questionar se aquilo que sabemos é realidade ou fantasia e a misturar esses dois mundos.
   Consigo, agora, entender os fundamentos que levam tanta gente a reconhecer este livro especial e o porquê de ser considerado um dos melhores de sempre de escritores sul-americanos. Na verdade, é extremamente bem-escrito e narra uma história original. Pessoalmente, talvez tenha partido para esta leitura com as expectativas demasiado elevadas. Porém, a verdade é que gostei, mas não adorei como pensei que pudesse acontecer. De qualquer maneira, recomendo este livro a quem gosta e mesmo a quem não gosta de romances porque, se for lido de forma correta, torna-se um livro excecional e inesquecível.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Livro que originaram filmes

É esta a exposição preparada pela aluna monitora da nossa biblioteca Beatriz Pedrosa:


És daquelas/(es) que adoras filmes mas também te interessas por livros?

És daquelas/(es) que gostas de ler o livro antes ou depois do filme?

És daquelas/(es) que gostas de descobrir e comparar os livros com os respectivos filmes?

Queres descobrir mais acerca da estreita relação entre a literatura e a cinematografia?

Então esta exposição é para ti.

Abre, folheia, lê e perde-te no universo dos livros, das histórias e das palavras.


Tendo em conta um artigo do jornal Público publicado a 5 de fevereiro de 2013: Um livro ao ser adaptado numa sequência de imagens registadas numa câmara acompanhadas por um fundo musical adquire novas características e perde outras. Tanto se perdem alguns acontecimentos, aspetos e traços caracterizadores como também se acrescentam ritmos, melodias, imagens, desenrolar de ações distintas e até perspetivas diferentes.

Podemos verificar que a linguagem cinematográfica difere da linguagem literária bem como o trabalho de uma equipa no caso do cinema é totalmente distinto do trabalho individual no caso das narrativas.



Como sabemos, no caso dos livros, a sua leitura permite não só o imaginar da ação, das personagens, dos espaços (da história em si) como também o desenvolvimento intelectual e o enriquecimento pessoal a nível do vocabulário e das variadas perspetivas acerca de acontecimentos específicos ou da vida em si.

No entanto os filmes, de certa forma impossibilitam-nos a tal imaginação uniformizando muitos dos aspetos que poderiam variar de indivíduo para indivíduo.



Contudo não podemos esquecer também toda a preparação e dedicação inerente a um filme associada aos cenários, personagens, guiões, espaços, adereços, materiais cinematográficos, efeitos especiais quando necessário, horas e horas de filmagem, banda sonora…

Tudo isto junto dá origem a um vídeo que nos leva à surpresa, admiração e prazer quer pela cor, pela história e seu desenrolar, pelos momentos de suspense a nível sonoro e da imagem, quer por todos os constituintes ligados à sétima arte.  

sábado, 2 de dezembro de 2017

Fitas na escola

No âmbito do projeto "Cinema: um mundo a descobrir", do Plano Nacional de Cinema (Portugal), iniciámos as atividades em novembro, na semana do Dia do Cinema, com a projeção do filme "Adeus, Lenin!".

Celebrar o cinema e a Queda do Muro foi o principal objetivo com um olhar cinéfilo meio.


Agora, dezembro vai trazer grandes coisas.

Novo ano letivo com upgrade

O Clube de leitura e escrita tem já um mês de atividade.


Começámos com João Tordo e O Ano Sabático que nos trouxe momentos de escrita à maneira de uma passagem do livro e impressões sobre o desconcerto do enredo e a estrutura da narrativa.

Vamos continuar quinzenalmente a conversar sobre livros.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Visionamento de "Vou para casa" de Manoel de Oliveira

No âmbito do Plano Nacional de Cinema, foi exibido o filme "Vou para casa" de Manoel de Oliveira que teve como público duas turmas de 10º ano.