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Poemas & Poetas, Soneto - Hélia Correia

  Soneto   Se alguém batesse à minha porta um dia E me chamasse à vida que há na rua, Eu — que não quero ouvir — nada ouviria Que apenas ouço aquela voz que é tua.   Se alguém de noite abrisse a gelosia Para que eu pudesse olhar a luz da lua, Eu — que não posso ver — nada veria Que a condição de cega continua.   Nem punhal feito em aço de Toledo Me atinge o coração porque ele somente No aço dos teus olhos se desfaz.   Pois contra mim lançou este bruxedo O Amor: de meus sentidos nenhum sente Senão o sentimento que lhes dás.   HÉLIA CORREIA   Hélia Correia é uma escritora e tradutora portuguesa, tendo sido laureada ao longo da sua carreira literária. Foi galardoada com o Prémio Camões 2015. Hélia Correia nasceu em Lisboa em fevereiro de 1949, e cresceu em Mafra, terra da família materna, na qual frequentou o ensino primário e liceal. Finalizou os estudos liceais em Lisboa, cidade onde também viria a frequentar a Faculdade de Letras. Licenciou
Mensagens recentes

Poemas & Poetas, O Sol Volta Sempre a Brilhar - Maria Antonieta Fevereiro

  O Sol Volta Sempre a Brilhar     Alguém um dia me disse: O Sol volta sempre a brilhar. E hoje o Sol brilhou na minha janela. Um Sol de Inverno, Com prenúncio de Primavera. E porque de felicidade Também se deve falar. Um mar de ondas revoltas, Também se pode acalmar. Do turbilhão dos desejos Do crepitar de emoções. Finalmente em paz me sinto. E quedo-me a sonhar.   Maria Antonieta Girão Fevereiro   Maria Antonieta Girão Fevereiro nasceu na Covilhã a 5/02/1950. Viveu durante três anos em África, na Guiné onde frequentou o liceu Honório Barreto. Mais tarde enveredou pela carreira do ensino, nomeadamente na área de formação profissional. Investigadora autónoma e está hoje ligada á Física Quântica e ao mundo holístico. Desde criança sentiu o gosto pela poesia estando agora a equacionar a publicação de um livro de poemas.

Poemas & Poetas, Onde deixaste o meu beijo-manhã? - António Pedro Vicente

  Onde deixaste o meu beijo-manhã?   Dentro da gaveta do quarto? entre os papéis versados e os anéis, e os ponteiros arrastados pelo tempo?   Por baixo do sofá? Para onde costuma escorrer o silêncio dos teus lábios?   Em cima da cama? Onde prometemos o amor, onde existimos eternos?   Onde deixaste o meu beijo-manhã? Estendido na varanda a pingar a cidade de amor?   Preciso do encontro dos teus lábios, para poder abafar o silêncio entre as pedras da rua, que se estende misturado nas paredes do mundo,   Onde deixaste o meu beijo-manhã?   Que hoje preciso de pintar um quadro sobre o amor guardado numa gaveta só para ti.   António Pedro Vicente   António Pedro Vicente, nasceu a 02 de fevereiro de 1988, em Caldas da Rainha, Portugal. Formou-se em Ciências da Educação pela Universidade de Lisboa. Mais tarde, integrou a especialização na gestão do ensino superior. Foi na cidade de Lisboa que estabeleceu uma relação com a arte da es

Poemas & Poetas, Ode à Liberdade - Jaime Cortesão

  Ode à Liberdade   Quero-te, como quero ao ar e à luz Porque não sou a ovelha do rebanho, Nem vendi ao pastor a alma e a grei; E onde não haja mais do que o redil, És tua a minha pátria e a minha Lei.   Leva-me onde as estradas me pertençam. Porque as vozes viris que me conduzem Ninguém, melhor do que eu, sabe dizê-las; Porque eu não temo as livres solidões, Onde habitam os ventos e as estrelas.   Leva-me ao teu sopro, éter divino, Porque me queima a sede das alturas E o meu amor se oferece sem limite; E és tu que abres as asas aos condores, É tu que ergues os astros ao zénite. Toma-se nas tuas mãos de Sagitário, Faze de mim o arco retesado Pelo teu braço e a tua força inquieta, Pois, quando o meu desejo atinge o alvo, És tu o impulso que dispara a seta.   É lá, sempre mais longe, além do Outono, Nos limites do mundo conhecido, Em plena selva e onde há que abrir a senda, Que eu quero devorar os frutos novos E erguer à beira de

Poemas & Poetas, Aninhas e suas pedras - Cora Coralina

  Aninha e suas pedras   Não te deixes destruir… Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas.   Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.   Faz de tua vida mesquinha um poema. E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir.   Esta fonte é para uso de todos os sedentos. Toma a tua parte. Vem a estas páginas e não entraves seu uso aos que têm sede.   Cora Coralina Cora Coralina (ou Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas) nasceu em 20 de agosto de 1889, na cidade de Goiás. Ali, frequentou a escola durante apenas três anos e tinha muita dificuldade em aprender. De acordo com a escritora, numa entrevista concedida a Miriam Botassi (1947-2000), quando chegou à idade de se casar, teve “muito medo de ficar moça velha sem casar”. Já que tinha ideias não aceites no tempo, a família considerava-a uma louca, por ser diferente. Era considerada feia e, por isso, tinha medo de fica

Poemas & Poetas, As crianças são mais sábias do que os grandes sábios e intelectuais adultos. - Vanda Furtado Marques

  As crianças são mais sábias do que os grandes sábios e intelectuais adultos.   Quando fala… inunda-nos de bolhinhas em forma de coração. Quando sorri… amolece-nos o coração e derrete-o como se fosse manteiga. Quando chora… precisamos de um chapéu-de-chuva para a alma. Quando brinca… transforma uma simples pedra num gigante das histórias. Quando pensa… enche o mundo de balões coloridos. Quando dorme… os carneirinhos dos sonhos fazem-nos mé…mé … Quando está triste… até fazemos piruetas e saltamos montanhas. Quando nos abraça… as raízes do amor multiplicam-se criando flores vermelhas.   Vanda Furtado Marques   Nascida em Alcobaça em 1968. Teve o privilégio de ter crescido numa família onde a cultura e o mundo das Histórias eram constantes. Desde pequena, recorda a mãe contar as histórias das tias, dos avós, dos bisavôs. Eram histórias verdadeiramente fantásticas, onde tesouros antigos, amores incompreendidos e lutas pela liberdade eram desvendados nos serões em

1º prémio do Concurso de Poesia

 Lembras-te de mim? Quantas memórias carregas Foi um sonho talvez Um sonho carregado de amor e felicidade Como é triste ver agora Morrer tão belo... Ouves os acordes da guitarra? Segue-os antes que esqueças como eram. Sentes a melodia da flauta? São os seus últimos compassos... Um dueto em perfeita sintonia... Acabou. Ouço perfeitamente o silêncio da minha solidão, agora. Sorri para mim uma última vez. Porque não sorris? Que puro e singelo era... Voa! Para onde possas ouvir eternamente a melodia da felicidade. Lembras-te de mim, avó? Amor... Ana Oliveira