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Mensagens

Exposição 3 vidas - Dia internacional em Memória das Vítimas do Holocausto - 27 de janeiro

 De grande simplicidade, a exposição criada para este ano lembra pessoas que, de diferentes maneiras, viveram o período do Holocausto. Primo Levi Aristides de Sousa Mendes Anne Frank A imagem da entrada do campo de concentração e a caixa do dvd "Páginas de Liberdade" pretendem ligar o passado a um tempo contemporâneo, em que jovens descobrem esse passado pela mão de uma jovem professora. Em complemento, breve informação sobre o número de prisioneiros que não se ficou por judeus.   Cada visita orientada à exposição contribuiu para um aprofundamento e consciencialização que atingiu o clímax com a leitura a duas vozes de alunos participantes do texto introdutório de Primo Levi.  

Poemas & Poetas - "Autorretrato" de Fernando Assis Pacheco

  Um tal Fernando Assis Pacheco Vivo com ele há anos suficientes para poder dizer que o reconheceria num dia de Novembro no meio da bruma é como uma pessoa de família adorava os pais, mas tinha medo quando zangados se punham aos gritos e se chamavam nomes odiosos não invento nada vi-o crescer comigo chorava então desabaladamente e eu com ele sentindo-nos perdidos o cobertor puxado sobre a cabeça seria trágico se não fosse ridículo mesmo depois a noite que urinasse no pijama era um protesto civil encharcou assim grande parte das Beiras não lhe perguntem se foi feliz   Fernando Assis Pacheco (1937-1995) nasceu em Coimbra, cidade onde se licenciou em Filologia Germânica e onde viveu até iniciar o serviço militar, em 1961. Na juventude, foi actor de teatro e redator da revista Vértice. Cumpriu parte do serviço militar em Portugal, tendo seguido como expedicionário para Angola, onde esteve até 1965. Nunca conheceu outra profissão que não fosse o...

Poemas & Poetas - "Auto-retrato" de A. M. Catarino

  Autorretrato A. M. Catarino   Um auto-retrato É uma versão alternativa Daquilo que sou.   Errática sinfonia da banalidade.   Neste, por exemplo, Pareço um foragido da lei   A polícia não desdenharia Coloca-la no meu processo, Se eu fosse corajoso o bastante Para desafiar a autoridade.   Imagino um agente a algemar-me: “Tudo o que usar ser, Será usado contra si.”   A. M. CATARINO Nascido em 1973 e residente em Benedita, António Manuel Catarino define-se como sociólogo de formação, formador por vocação, fotógrafo por paixão e escritor por natureza. O Escritor A escrita aparece na sua vida como consequência natural do gosto em entrelaçar a fotografia e a palavra. Começou por partilhar textos ilustrando as suas fotografias em blogues, mas a boa reação incentivou-o a ir mais além. Publicou os livros “Fragmentário” em 2010 e “Um” em 2011, conjugando pequenos contos e fotografias de sua autoria. O primeiro...

Poemas & Poetas - "Renuncia" de Virgínia Victorino

  RENÚNCIA   Fui nova, mas fui triste; só eu sei como passou por mim a mocidade! Cantar era o dever da minha idade… Devia ter cantado, e não cantei!   Fui bela. Fui amada. E desprezei… Não quiz beber o filtro da ansiedade. Amar era o destino, a claridade… Devia ter amado, e não amei!   Ai de mim! Nem saudades, nem desejos; nem cinzas mortas, nem calor de beijos… — Eu nada soube, nada quis prender!   E o que me resta? Uma amargura infinda: ver que é, para morrer, tão cedo ainda, e que é tão tarde já para viver!   Virgínia Victorino   Virgínia Villa-Nova de Sousa Vitorino nasceu em 13 de agosto de 1895, em Alcobaça, filha do correeiro Joaquim de Sousa Vitorino e de sua mulher, Guilhermina Vila-Nova. Cursou  Filologia Românica , na  Faculdade de Letras de Lisboa , e frequentou a  Escola de Música do Conservatório Nacional , onde estudou  piano ,  canto , harmonia e aprendeu a  lín...

Poemas & Poetas - "Soneto Antigo" de Cecília Meireles

  SONETO ANTIGO   Responder a perguntas não respondo. Perguntas impossíveis não pergunto. Só do que sei de mim aos outros conto: de mim, atravessada pelo mundo.   Toda a minha experiência, o meu estudo, sou eu mesma que, em solidão paciente, recolho do que em mim observo e escuto muda lição, que ninguém mais entende.   O que sou vale mais do que o meu canto. Apenas em linguagem vou dizendo caminhos invisíveis por onde ando.   Tudo é secreto e de remoto exemplo. Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo. E todos somos pura flor de vento.   Cecília Meireles   Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964) foi uma jornalista, pintora, poeta, escritora e professora brasileira. É um nome canônico do modernismo brasileiro, uma das grandes poetas da língua portuguesa e é amplamente considerada a melhor poeta do Brasil, embora tenha combatido a pal...

Poemas & Poetas - "Meu pensamento é um rio subterrâneo" de Fernando Pessoa

Meu pensamento é um rio subterrâneo Meu pensamento é um rio subterrâneo. Para que terras vai e donde vem? Não sei... Na noite em que o meu ser o tem Emerge dele um ruído subitâneo   De origens no Mistério extraviadas De eu compreendê-las..., misteriosas fontes Habitando a distância de ermos montes Onde os momentos são a Deus chegados...   De vez em quando luze em minha mágoa Como um farol num mar desconhecido Um movimento de correr, perdido Em mim, um pálido soluço de água...   E eu relembro de tempos mais antigos Que a minha consciência da ilusão Águas divinas percorrendo o chão De verdores uníssonos e amigos,   E a ideia de uma Pátria anterior À forma consciente do meu ser Dói me no que desejo, e vem bater Como uma onda de encontro à minha dor.   Escuto o... Ao longe, no meu vago taco Da minha alma, perdido som incerto, Como um eterno rio indescoberto, Mais que a ideia de rio certo e abstrato... ...

Poemas & Poetas - "A Lágrima" de Rui Rasquilho

A Lágrima   Sobre a areia A memória do fogo E a distância A dilaceração do tempo Do teu corpo Os teus lábios E as ondas   Ao longe o cais sem navios E os teus braços morenos Perdidos no meu ombro   Dançamos agora Na garganta O nó E o gelo   No teu rosto-índice Adeja o limite paralelo da cor E a lágrima   Rui Rasquilho por sua voz - À terceira hora do terceiro dia do terceiro mês, meio ano antes de terminar a guerra, em 1945, nasci. Em julho entrei pela primeira vez num mosteiro construído e vivido por cistercienses, Santa Maria de Alcobaça. Mais tarde percebi que o meu batismo se havia realizado na Sala dos Reis perante inúmeras testemunhas em barro cozido e que, tirando o Papa Alexandre III e S. Bernardo, os outros haviam sido todos reis. Vivi em Alcobaça até ao início da Escola Primária; depois, veio São Pedro do Sul, Fundão, Castelo Branco e Alcobaça, onde fiz a 4.ª classe e a admissão ao Liceu, em Leiria...