Rosas secas Rosas secas numa jarra, atravessadas Pelo feixe de luz amarelo do candeeiro de rua. Mas a rua será modernizada. Iluminada por uma lâmpada branca e estridente. Tal como tudo no mundo, que se torna incolor e sem graça. Tal como todos no mundo, que se tornam pálidos e secos. Tal como o corpo nu e frio que se estende na cama E que terá roubado umas rosas, em tempos, Deixando-as pousar eternamente. Porque as flores são mais bonitas quando estão mortas E as raparigas são mais bonitas quando desejam ser flores numa jarra, Arranjadas, ornamentadas. Elogiadas e ignoradas. Direitas, imóveis... À espera de serem trocadas por umas mais frescas, em breve. Quando a realidade bate à porta E decidem levantar-se da cama, As raparigas olham para o espelho, Intrigadas com a forma que o seu cabelo tomou E com o brilho com que os seus olhos se distinguem do mar de petróleo, E desiludem-se Porque não são como as rosas, Que ficam mais bonitas quando estão murchas. Mas o espelho não se import...